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Com base nos dados da ANEEL, a Solar Wind Tech (SWT) lança Dashboard especifico sobre geração solar fotovoltaica no Rio Grande do Sul. Trata-se dos dados de energia solar em Micro e Mini Geração Distribuída (MMGD) no Rio Grande do Sul (RS), atualizados até junho de 2024.
A estrutura do Dashboard possui vários painéis visuais que incluem dados dos municípios Top 10 do RS, dados gerais do estado em termos de potência por classe, a qual é subdividida em: Residencial, Comercial, Rural e outras de consumo público. Também são apresentados a potência por modalidade, que é subdividida em: Geração na Própria UC (Unidade consumidora), Autoconsumo Remoto, Geração Compartilhada e Geração em Múltiplas UC. Pode ser também verificada a potência e quantidade de UFV conforme a classificação de Micro Geração Distribuída ou Mini Geração Distribuída. Outra informação que pode ser consultada é a potencia e quantidade de usinas por concessionária de energia elétrica que atuam no estado. Um dos painéis visuais mostra para cada município os principais dados de potência e quantidade de sistemas instalados seja por classe, por modalidade e também tamanho das UFV.
Neste artigo, apresentamos um panorama das informações de geração solar FV no RS que podem ser derivadas do Dashboard apresentado pela Solar Wind Tech.
Em 2015 o RS iniciou sua contribuição significativa de energia solar, na categoria de MMGD, com capacidade instalada de 1 MW. De 2015 a até o ano 2022 o RS teve anualmente um aumento gradual de potência. Em 2018 a potência adicionada foi quase 3,5 vezes superior ao ano 2017. Em 2019 o incremento de potência foi 2,8 vezes maior que em 2018; em 2020 foi 1,7 vezes superior a 2019; e em 2021 superou em 1,56 vezes a potência instalada em 2020. O ano de 2022 o RS atingiu sua maior capacidade, adicionando 906 MW, valor 1,83 vezes superior ao ano 2021. O ano 2023 teve uma queda da capacidade instalada (634 MW) valor 30% menor que a capacidade instalada em 2022. Pelo dados disponibilizados pela ANEEL até maio de 2024 o RS adicionou 177 MW.
Caxias do Sul (96MW), Porto Alegre (88 MW) e Novo Hamburgo (62 MW) são os municípios com maior capacidade instalada no RS. Considerando a potência dos Municípios Top 10, estes totalizam 584 MW representando 21% da capacidade instalada no estado.
Até final de junho de 2024 a micro e mini geração solar fotovoltaica no Rio Grande do Sul apresenta uma capacidade instalada de 2805 MW, sendo o terceiro estado no Brasil com a maior potência instalada, ranking liderado por São Paulo (4096 MW) e seguido por Minas Gerias (3885 MW). O Rio Grande do Sul possui em torno de 310 mil usinas fotovoltaicas (UFV) distribuídas nos 497 municípios do estado.
Em termos de classificação por modalidade se observa que em torno de 71% corresponde a geração na própria unidade consumidora (UC) e 29% a autoconsumo remoto. A geração compartilha e geração em múltiplas UC representam menos que 1% das instalações fotovoltaicas do estado.
Considerando as UVF por classe os dados mostram que 50% correspondem UFV para uso residencial, 23% para uso comercial, 19% para uso rural e 7% para uso industrial, sendo o uso em instalações no poder público um valor de 1% e as outras aplicações (serviço público e iluminação pública) o valor é inferior a 1%.
Já em relação a classificação pelo tamanho da UFV como micro e mini geração distribuída, cerca de 92% das UFV instaladas no estado estão dentro da categoria de micro geração e enquanto que 8% correspondem a mini geração distribuída.
Até junho de 2024 o RS apresenta uma capacidade instalada de 177 MW, com quase 18 mil UFV instaladas em 489 municípios do estado. Deste total 89% corresponde a UFV da micro geração e 11% a mini geração. Considerando por classe de consumo 106,3 MW são UFV para consumo residencial (60%), 31 MW para uso rural (18%) e 29,2 MW (16%) no consumo comercial. O uso industrial de UFV é menor que 10 MW (5%). Em relação a modalidade instalada, 75% (132 MW) é destinada a geração na própria UC, 24% (42 MW) para autoconsumo remoto, e somente 1,3 % (2,2 MW) adota a geração compartilhada. Em relação as distribuidoras de energia elétrica a RGE-Sul lidera a capacidade instalada de UFV com mais de 140 MW em capacidade instalada, seguida da CEEE-D com 18 MW e CERTEL Energia com quase 4 MW.
Em 2022 no RS foram adicionados 906 MW. Em 2023 o mercado teve uma queda, com somente 645 MW instalados, representando 70% da capacidade adicionada em 2022. Considerando recente catástrofe climática ocorrida no RS em 2024 esta contração será ainda mais significativa. Em 2023, até o mês de maio, o RS adicionou 401 MW de UFV. Já em 2024 até o correspondente mês de maio o total adicionado foi de 177 MW, equivalente a 44 % do total instalado em 2023 até aquele mês.
Em 2024 até o mês de abril, o Rio Grande do Sul estava gradativamente aumentando sua capacidade instalada, com queda drástica observada em maio de 2024. Abril a capacidade instalada foi de 42,6MW e maio 20,5 MW, representando somente 48% do instalado no mês anterior. Com dados parciais e não totais de 2024 no mês de junho foram adicionados 185 kW totalizando 18 usinas.
Além dos dados derivados da ANEEL, a Solar Wind Tech descreve as características da MMGD para a divisão regional do RS conforme o Atlas Socioeconômico do Rio Grande do Sul. O estado do RS é dividido em 09 grandes regiões funcionais (RF) nas quais são agrupadas 28 regiões denominadas COREDES. O nome COREDE é a sigla de Conselhos Regionais de Desenvolvimento (COREDE) criados por lei estadual integrando um fórum de discussão para a promoção de políticas e ações que visam o desenvolvimento regional do RS.
Para facilitar o entendimento de cada Região Funcional (RF) o SWT complementou com nomes representativos das respectivas regiões geográficas com áreas de abrangência semelhantes denominação das 08 mesorregiões do IBGE e extintas em 2017.
O estudo permitiu fazer o levantamento da capacidade instalada destas 09 regiões funcionais. A região funcional RF1 abrange um total de 70 municípios e denominada aqui Região Metropolitana é a que apresentam a maior capacidade instalada com 720 MW, seguida da Região Norte (RF9) 433 MW e a qual possui a maior quantidade de municípios (130). A região Nordeste (RF3), na terceira conta com uma potência de 376 MW abrangendo 59 municípios.
https://atlassocioeconomico.rs.gov.br/conselhos-regionais-de-desenvolvimento-coredes
Com a divisão estadual em 28 COREDE, se observa que a região da Serra, a região do Vale do Rio dos Sinos e a região Metropolitana Delta do Jacuí lideram no estado a capacidade em potência e quantidade de usinas fotovoltaicas instaladas. A Serra possui mais de 307 MW instalados com 26,5 mil UFV. Deste total, Caxias do Sul, Farroupilha e Bento Gonçalves são os municípios que lideram nessa região. No Vale do Rio dos Sinos possui (299 MW) com menor potência instalada sobressai pela maior quantidade de UFV instaladas que é de quase 37 mil unidades. Já na região Metropolitana Delta do Jacuí os municípios de Porto Alegre (88,3 MW), Gravataí (34,5 MW) e Viamão (21 MW) apresentam a maior capacidade instalada até junho de 2024.
No ano de 2024, considerando até o mês de maio, a região da Serra adicionou 19 MW, o Vale do Rio dos Sinos 21 MW e a região Metropolitana Delta do Jacuí 10 MW. Comparando com 2023, até o mesmo mês de maio, se observa que 2024 teve uma perda de capacidade instalada. Por exemplo, o mercado teve uma contração de quase 50% na Serra confrontada com a potência instalada em 2023 que foi de 36 MW. Já no caso da região Metropolitana a retração foi muito maior, cuja capacidade instalada foi menos que 24% comparada com 2023. No caso do da região do Vale do Rio dos Sinos a queda foi similar à região da Serra.
Do ano 2015 até 2024 o RS tem apresentado uma contribuição significativa em termo de quantidade e potência de usinas fotovoltaicas inseridas na micro e mini geração distribuída (MMGD). Após São Paulo e Minas Gerais, o Rio Grande do Sul, com 2805 MW, ocupa a terceira posição em importância em termos de capacidade instalada. O ano 2022 se destaca com a maior capacidade adicionada. No estado a geração solar para uso residencial responde por quase 50% das UFV do estado. Já 71% corresponde a modalidade de geração FV instalada na própria unidade consumidora e 92% são usinas fotovoltaicas classificadas como de micro geração distribuída.
Em 2023 o mercado solar da MMGD teve no Brasil uma queda devido a diversos fatores, entre eles, aumento das taxas de juros, maiores dificuldades para linhas de crédito e novas regras no mercado após a Lei 14.300. Por outro lado, a alta capacidade de produção da China na fabricação de módulos fotovoltaicas, resultou em 2023 numa queda de preços significativa, refletida também no mercado nacional. Uma panorama do mercado de geração distribuída do ano 2023 pode ser encontrada em artigo da PV magazine Brasil. No Rio Grande do Sul, no ano 2023, a capacidade instalada foi 30% menor que a instalada em 2022. Em 2024, até o mês de maio, o adicionado foi de 177 MW, valor que representa somente 44 % do adicionado em 2023 até aquele mês.
Em 2024, de janeiro até maio, o mercado se mostrou aquém do esperado. Os efeitos da catástrofe climática das inundações que recentemente atingiram o estado repercutiram negativamente no mercado da MMGD nos próximos meses. Além disto pelas inundações, a capacidade instalada também sofrerá perdas (totais ou parciais) em função dos danos ocorridos em UFV instaladas em unidades consumidoras afetadas pelas enchentes.
Após a calamidade climática no estado, o mercado da geração solar fotovoltaica deverá se adequar a nova realidade no RS. Existem também aspectos positivos que mesmo neste cenário, podem contribuir para reativar o mercado da geração solar. Por exemplo, a queda de preço nos módulos fotovoltaicos poderá motivar a aquisição e instalação de novas UFV. Além disto, a necessidade no estado da construção de novas edificações poderá, com devidas linhas de financiamento, incentivar a instalação de UFV nestes novos telhados.